16.2.09

Prós e Contras (ou prós e prós)


Acabei de ver o Prós e Contras sobre o casamento homossexual, e lembrou-me o debate sobre o aborto, volto a reparar em algo que aos meus olhos empobrece este programa, o lado dos "Bons" (bons porque é mais que nítida a parcialidade do programa) estava muitíssimo bem escolhida, até a Isabel Moreira, um pouco maluca teve algumas intervenções interessantes, o Miguel Vale de Almeida conseguiu, quanto a mim, nos últimos 3 minutos do programa dizer tudo, mas mesmo tudo o que havia a dizer sobre a questão. A Fernanda Câncio foi como sempre refrescante pela simplicidade do que disse (Fernanda, para a próxima por favor escolha: ou o casaco ou as meias, os dois ao mesmo tempo como os bissexuais polígamos do sr. Salter é que não ).

Mas o que queria focar é o lado dos "maus", de onde saem aquelas pessoas? E mais, como é que aquelas pessoas aceitam sujeitar-se a ir a um programa deste tipo, não digo isto por defenderem posições opostas, mas por lá levarem essas posições tão mal consolidadas, como é que se metem de defender o que defendem sem saberem do que é que os "opositores" estão a falar ou do que eles próprios estão a falar, estas pessoas possuem cargos importantes, são referências nas suas áreas e no entanto alguns nem 2 ou 3 frases articuladas foram capazes de dizer. O highlight desta vergonha foi definitivamente o que vou chamar de "Os bissexuais poligamos do Sr. Salter-Cid":




Que desperdício, passou-se um debate inteiro a falar de não-questões, de termos legais, de concursos de quem é homófobo ou não até se gerar o circo completo, em que há uma parada de extremistas a dizer as barbaridades de há 30 anos atrás, e os "bons" estão simplesmente a explicar como é que as coisas são. Mas porra, parece impossível, como é que podem continuar a alegar que ainda existe A família há estatísticas do INE se não acreditam nos estudos da sociologia? Onde é que estas pessoas vivem para acharem que a sociedade actual é constituida por células de pai + mãe + filhos? E já agora, deviam experimentar chegar ao pé de uma mãe solteira e dizer-lhe que não tem capacidade de criar o filho porque não tem homem.

E acho que há qualquer coisa de muito errada quando o representante da Igreja NÃO é a pessoa mais intransigente e conservadora num debate deste tipo (ok excepto na parte do incesto).



Relativamente aos filhos, acho que o lado dos "bons" fez um óbvio esforço de fugir à questão da adopção e aproveito para dizer que não aceito nem pouco nem mais ou menos o argumento "Ah, entre a criança estar abandonada e ser maltratada ou fechada numa instituição, mais vale ficar com um casal homossexual", o argumento deve ser o de que um casal homossexual tem tanta capacidade quanto um casal heterossexual de zelar, proteger, educar e defender uma criança, enfim de a amar, que é a única coisa que realmente interessa. Quanto ao resto, as crianças não são feitas de cristal, há crianças criadas das mais diversas e bizarras formas e não foi por isso que deixaram de crescer felizes e se tornaram adultos perfeitamente saudáveis e igualmente felizes.

Enfim. Até tremo a pensar no debate sobre a adopção homossexual.



1 comment:

Aequillibrium said...

LOL

concordo com tudo o que disseste... até com a roupinha da fernanda..