31.12.06

Feliz Ano Porco

24.12.06

Por escrever

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o teu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

Mário Cesariny

17.12.06

Tanta Expectativa

Expectations, Sir Lawrence Alma-Tadema

5.12.06

State of The Art

, já tá, agora falta:

+

++

29.11.06

A transformação de Martin Lake (198)



Em resposta, o homem cantou para a mão de Lake, com palavras incompreensíveis, estranhas e tristes.


Esta foi uma daquelas coisas - nunca ouvi falar, nao sei o que é mas TENHO de o ter. As coisas que uma pessoa escreve depois de ter um ataque de asma (?). Para um fã do A é A, é assim O livro. Há duas linhas de narração, uma na qual decorre a acção (já disse que o livro foca o momento em que um pintor hiper-realista se transforma? não é tipo fazer-se gaja, é tipo o momento em que passa de um artista medíocre (mas com potencial) para génio), e outra linha de narração que consiste numa análise póstuma do seu trabalho, escrita por uma critica de arte corcunda. É uma delicia ver a interpretação dela e confronta-la com a real intenção de cada quadro, e mais não digo.

Agora apetece-me ler Borges. Vou pedir para me porem na meia de Natal.

(Vandermeer, JEFF; A transformação de Martin Lake & outras histórias; Livros de Areia, Lisboa:2006)

16.11.06

Girls in Moustache TURN ME ON

5.11.06

E se.


O grande potencial dos filmes, passa pela identificação do espectador com os protagonistas ou a situação deles, faz-nos entrar num daqueles esquemas de pensamento fodidos do realmente-e-se-isto-me-acontecesse-e-logo-a-mim-de-todas-as-pessoas. O pior é que nos sentimos todos estúpidos quando isso se passa com um filme de 2a categoria, deve ser (hope so) porque são maus e nos forçam a investir mais para render a experiência. Ou talvez um filme não seja tão mau, se no fim nos deixa devastados a pensar que se tu me morresses eu ficava tão devastado que a minha vida perderia todo e qualquer sentido. Well, suponho que indo até aí mais vale então levar com a moralona toda do filme, já que estes filmes tem o cuidado de ao mesmo tempo passar uma mensagem optimista que contrapõe life-sucks-and-then-you-die com mas-vale-a-pena. Oh well, e I guess it does really. Isto faz-me tão maricas, tão certo como eu gostar de um HOMEM.

26.8.06

Cuspir para a Boca

Pobre Cassandra, tão afortunada pelo amor que até por cobras foste amada, por várias cobras, muito bem te trataram desses ouvidos, nunca as suas línguas os largaram até toda a materia cerosa desaparecer. Com nova clarividência, subsequente de tal profunda limpeza, toldou-se a tua percepção do presente, passaste a viver o presente a partir do futuro. Não retribuíste o amor no entanto, e por isso ele cuspiu-te nessa boca ingrata, uma grande expectoração verdilhante. Daí em diante percebeste que por mais que vivesses no futuro, eras incapaz de viver o presente. Sabias que vinha ai a destruição e ninguém mais acreditaria em ti, endoideceste quando se abateu a destruição que não conseguiste impedir. Mas o que interessa é que eras amada, e vieram por ti, mesmo quando o teu irmão entrou morto em Tróia, e tu viste, eles vieram por te amarem e violentada e maltratada não perdeste o teu dom, e mesmo o objecto que odiavas e quiseste mesmo assim salvar, de nada nada adiantou. Ele pisou e morreu, com os teus filhos forçados.